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Etias para brasileiros: o que muda na viagem

  • Foto do escritor: Fernando Alves
    Fernando Alves
  • há 9 horas
  • 6 min de leitura

ETIAS: o "visto que não é visto" que vai bagunçar (um pouquinho) sua próxima viagem à Europa

Se você já sonhou em ver a aurora boreal dançando no céu da Lapônia (spoiler: é praticamente a nossa especialidade aqui na Aextrip) ou simplesmente perambular por uma cidadezinha na Toscana comendo mais massa do que deveria, prepare-se: a partir do fim de 2026 vai existir um novo personagem na sua rotina de planejamento de viagem. O nome dele é ETIAS, e apesar de soar como personagem de desenho animado japonês, ele é bem mais burocrático (e bem menos fofo) do que parece.

Calma, não é motivo de pânico. Vamos descomplicar tudo o que você precisa saber, sem economês e sem juridiquês, só a real sobre o que muda para o brasileiro que quer viajar para a Europa.

O que é o Etias, afinal?

ETIAS é a sigla para European Travel Information and Authorisation System, ou, em bom português, Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem.

Primeira coisa importante: ETIAS não é visto. Respira. Você não vai precisar ir a consulado, não vai ter entrevista, não vai precisar comprovar vínculo empregatício nem extrato bancário dos últimos seis meses. É mais parecido com aquele ESTA que os americanos pedem, ou o ETA do Reino Unido: uma autorização eletrônica de viagem que você preenche online antes de embarcar.

Na prática, funciona assim: você entra num site oficial, preenche um formulário com dados pessoais, informações do passaporte e um histórico básico de viagens, paga uma taxinha, e em poucos minutos (às vezes até em segundos) recebe uma resposta. Aprovado, você está liberado para entrar na Europa em viagens de turismo, negócios ou trânsito, por até 90 dias a cada período de 180 dias — exatamente como já é hoje, só que com esse passo extra antes de embarcar.

O objetivo declarado da União Europeia é reforçar a segurança nas fronteiras, cruzando informações dos viajantes antes mesmo de eles pisarem em solo europeu, prevenindo desde ameaças de segurança até imigração irregular.

Quando o Etias foi criado e quando ele começa a valer?

Aqui mora uma curiosidade: o ETIAS não é exatamente uma novidade de 2026. Ele foi criado formalmente em 12 de setembro de 2018, através do Regulamento (UE) 2018/1240, aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia. Ou seja, a ideia já tem mais de sete anos de maturação — e passou por vários adiamentos até chegar perto de sair do papel.

A boa notícia (ou a má, dependendo do seu ponto de vista) é que agora parece que vai mesmo. A previsão oficial da Comissão Europeia é que o sistema comece a operar plenamente no último trimestre de 2026, sem uma data exata cravada ainda — a União Europeia se comprometeu a avisar com alguns meses de antecedência assim que a data for confirmada.

Vale lembrar que esse cronograma andou de mãos dadas com outro sistema, o EES (Sistema de Entrada e Saída), que já começou a ser implantado nos aeroportos europeus e substitui o carimbo físico no passaporte por um registro digital biométrico. O ETIAS é, de certa forma, a "segunda fase" dessa modernização toda das fronteiras europeias.

E se você já tem uma viagem marcada para antes disso? Relaxa, nada muda. Enquanto o sistema não entra oficialmente em vigor, brasileiros continuam entrando na Europa como sempre entraram: sem visto, só com passaporte válido.

Quais países vão exigir o Etias?

O ETIAS vale para 30 países europeus, que incluem todos os integrantes do Espaço Schengen mais alguns países que, mesmo não fazendo parte da União Europeia, adotam as mesmas regras de fronteira. Ou seja: praticamente qualquer roteiro clássico de "Europa em 15 dias" vai passar por território ETIAS.

Isso significa: Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Áustria, Grécia, Suíça, Noruega, Islândia, Finlândia, Suécia, Dinamarca e por aí vai — a lista cobre a esmagadora maioria dos destinos que estão na lista de desejos de qualquer brasileiro apaixonado por Europa (sim, incluindo os destinos mais gelados e mais propícios a caçar aurora boreal, caso você seja desse time).

Fica de fora, claro, quem não integra o Espaço Schengen, como Reino Unido e Irlanda — mas atenção, porque esses países têm seus próprios sistemas parecidos (o Reino Unido, por exemplo, já exige o ETA para brasileiros).

Como solicitar o Etias?

Aqui está a parte mais tranquila da história: o processo é 100% online e, segundo a própria União Europeia, rápido.

De forma resumida, quando o sistema estiver no ar, o passo a passo será:

1. Acessar o site oficial — que será o único canal confiável, hospedado no domínio `europa.eu/etias`. Fique de olho nisso, porque já existem (e vão continuar existindo) sites e "intermediários" que cobram taxas extras ou pedem dados sensíveis demais para preencher o pedido em seu nome. Desconfie de qualquer site que não termine em europa.eu.

2. Preencher o formulário com dados pessoais, informações do passaporte, endereço, ocupação atual e um histórico básico sobre viagens anteriores (inclusive se você já esteve em zonas de conflito).

3. Pagar a taxa com cartão de crédito ou débito.

4. Aguardar a resposta — a promessa é que a maioria dos pedidos seja aprovada automaticamente em minutos, mas em alguns casos pode levar até 96 horas, e excepcionalmente até 30 dias, se for necessária uma análise mais detalhada.

Depois de aprovado, a autorização fica vinculada eletronicamente ao seu passaporte, então nada de carimbo ou papel para levar na mala. E ela vale para múltiplas entradas — ou seja, se você é do tipo que faz uma escapada para a Europa todo ano, não vai precisar repetir o processo a cada viagem, só quando a validade expirar.

Uma dica de ouro: a recomendação da própria UE é solicitar o ETIAS com alguma antecedência da viagem — nada de deixar para a véspera do embarque, mesmo que a aprovação costume ser rápida.

Quanto vai custar o Etias?

Aqui teve reviravolta. Durante anos, o valor anunciado foi de 7 euros — praticamente um cafezinho chique em Paris. Só que, em julho de 2025, a Comissão Europeia oficializou o aumento da taxa para 20 euros (algo em torno de R$ 130, dependendo da cotação do dia).

A justificativa oficial é cobrir os custos operacionais do sistema — que ficou mais robusto tecnologicamente do que o previsto inicialmente — e alinhar o preço ao de programas parecidos, como o ESTA americano (por volta de US$ 21) e o ETA britânico (cerca de £10).

Boas notícias para quem viaja com a família: menores de 18 anos e maiores de 70 anos estão isentos da taxa. Já para todo o resto de nós, simples mortais entre 18 e 69 anos, a taxa é individual — cada viajante paga a sua, mesmo que esteja viajando em grupo ou em família — e não é reembolsável, mesmo que o pedido seja negado.

E depois de aprovado, por quanto tempo vale?

Um bônus que ninguém pergunta, mas todo mundo devia: a autorização do ETIAS é válida por até 3 anos, ou até a data de validade do seu passaporte, o que vencer primeiro. Então se o seu passaporte está prestes a expirar, vale a pena renová-lo antes de solicitar o ETIAS, para aproveitar a validade máxima.

Vou precisar do Etias já na minha próxima viagem?

Ainda não. Enquanto o sistema não entra oficialmente em operação, a vida do viajante brasileiro segue exatamente como está hoje: passaporte válido, estadia de até 90 dias a cada 180 dias, sem visto, sem taxa, sem formulário. E mesmo depois do lançamento, é esperado um período de transição — que deve rolar entre outubro de 2026 e abril de 2027 — no qual viajantes que ainda não tiverem o ETIAS aprovado poderão entrar normalmente na Europa, desde que cumpram os demais requisitos de entrada. Depois desse período, aí sim, a exigência passa a valer para valer, sem margem de manobra.

Resumo da ópera (ou melhor, da aurora)

  • ETIAS não é visto, é uma autorização eletrônica de viagem.

  • Foi criado em 2018, mas só entra em vigor no último trimestre de 2026.

  • Vale para 30 países do Espaço Schengen e associados — praticamente todo o roteiro clássico europeu.

  • O pedido é feito 100% online, só pelo site oficial `europa.eu/etias`.

  • A taxa é de 20 euros, com isenção para menores de 18 e maiores de 70.

  • A autorização vale por até 3 anos e permite múltiplas entradas.

No fim das contas, o ETIAS é mais um carimbo burocrático do que um obstáculo de verdade. Vai dar um trabalhinho extra de preencher formulário e pagar uma taxa, mas nada que tire o brilho de ver o céu verde dançando sobre a neve escandinava.

E se essa leitura despertou aquela vontade de ver a aurora boreal ao vivo, a gente aqui na Aextrip já vive esse roteiro todo santo ano — Islândia, Lapônia, Noruega, Alasca — e cuida de cada detalhe da expedição para você só se preocupar em olhar para cima. Bora começar a planejar?

 
 
 

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